Hoje pelo menos 47 pessoas morreram em um duplo atentado em Argel, a sofrida capital da pobre Argélia. Não há nada oficial, mas as notícias dão conta de que os atentados são obra de assassinos da Al Qaeda no Magreb. Sim, eles não são militantes, esse eufemismo que esquerdas irresponsáveis usam para mascarar os assassinos frios que dizem lutar por uma causa que acreditam ser justa. O que justifica explodir um ônibus lotado de estudantes, como aconteceu hoje? O que justifica explodir funcionários da ONU que, bem ou mal, estão ali tentando ajudar a pôr ordem ao caos argelino? Obscurantismos políticos, ideológicos ou religiosos devem ser chamados pelo nome. Nesse caso, o obscurantismo tem nome certo e forte: assassinato a sangue frio.
Crianças indo para a escola não têm culpa sobre disputas civis, militares, econômicas ou religiosas. Pessoas tentando levar uma vida digna são apenas pessoas. E por serem apenas pessoas, são alvos de mentes insanas. Gente que sente prazer em matar. Só assassinos sentem prazer em matar. Quem quer mudar alguma coia, melhorar alguma coisa, pensa primeiro na vida, não glorifica a morte. Isso é insano. Mais insano ainda é encontrar, aqui e acolá, defensores dessas práticas, especialmente aqui no Ocidente, dito civilizado. Quem apóia atos terroristas é tão assassino quanto quem se explode em meio a crianças, mulheres, idosos, civis.
O atentado de hoje, por ter como alvo também instalações da ONU, trouxe à lembrança um outro, acontecido em 2003 no Iraque e que tirou a vida do brasileiro Sérgio Vieira de Melo. Lembra também o fracasso da ONU em se impor como organização respeitada e acima de qualquer bandeira, seja ela geopolítica, cultural ou ideológica. A ONU hoje parece não mais inspirar respeito. Parece uma intrusa nos lugares onde é chamada a intervir, seja de que forma for. É assim na África, onde a maior luta da organização é contra a Aids, é assim nos Bálcãs, onde a guerra civil é tão endêmica quanto qualquer doença. Também é assim em qualquer lugar do mundo onde os conflitos sejam tão agudos e ao mesmo tempo tão crônicos que ela não consegue dar uma resposta baseada em duas medidas, um mesmo peso. Já está passando da hora da ONU se reformar e voltar a ser relevante. Se para não acabar de vez com o flagelo dos atentados terroristas, pelo menos para se fazer respeitar e deixar de ser alvo deles.