Terroristas são assassinos

Posted Dezembro 11, 2007 by Li-Chang Shuen
Categories: Comentário geral

Hoje pelo menos 47 pessoas morreram em um duplo atentado em Argel, a sofrida capital da pobre Argélia. Não há nada oficial, mas as notícias dão conta de que os atentados são obra de assassinos da Al Qaeda no Magreb. Sim, eles não são militantes, esse eufemismo que esquerdas irresponsáveis usam para mascarar os assassinos frios que dizem lutar por uma causa que acreditam ser justa. O que justifica explodir um ônibus lotado de estudantes, como aconteceu hoje? O que justifica explodir funcionários da ONU que, bem ou mal, estão ali tentando ajudar a pôr ordem ao caos argelino? Obscurantismos políticos, ideológicos ou religiosos devem ser chamados pelo nome. Nesse caso, o obscurantismo tem nome certo e forte: assassinato a sangue frio.

Crianças indo para a escola não têm culpa sobre disputas civis, militares, econômicas ou religiosas. Pessoas tentando levar uma vida digna são apenas pessoas. E por serem apenas pessoas, são alvos de mentes insanas. Gente que sente prazer em matar. Só assassinos sentem prazer em matar. Quem quer mudar alguma coia, melhorar alguma coisa, pensa primeiro na vida, não glorifica a morte. Isso é insano. Mais insano ainda é encontrar, aqui e acolá, defensores dessas práticas, especialmente aqui no Ocidente, dito civilizado. Quem apóia atos terroristas é tão assassino quanto quem se explode em meio a crianças, mulheres, idosos, civis.

O atentado de hoje, por ter como alvo também instalações da ONU, trouxe à lembrança um outro, acontecido em 2003 no Iraque e que tirou a vida do brasileiro Sérgio Vieira de Melo. Lembra também o fracasso da ONU em se impor como organização respeitada e acima de qualquer bandeira, seja ela geopolítica, cultural ou ideológica. A ONU hoje parece não mais inspirar respeito. Parece uma intrusa nos lugares onde é chamada a intervir, seja de que forma for. É assim na África, onde a maior luta da organização é contra a Aids, é assim nos Bálcãs, onde a guerra civil é tão endêmica quanto qualquer doença. Também é assim em qualquer lugar do mundo onde os conflitos sejam tão agudos e ao mesmo tempo tão crônicos que ela não consegue dar uma resposta baseada em duas medidas, um mesmo peso. Já está passando da hora da ONU se reformar e voltar a ser relevante. Se para não acabar de vez com o flagelo dos atentados terroristas, pelo menos para se fazer respeitar e deixar de ser alvo deles.

Crise boliviana ou crise de Morales?

Posted Dezembro 9, 2007 by Li-Chang Shuen
Categories: Política internacional

A recente crise boliviana levanta uma questão de fundo: o país está vivendo uma crise institucional por causa das propostas de seu presidente ou é seu presidente que vive uma crise governamental por causa do país que governa?

A resposta a esta questão é algo complicada. Parece que o problema da Bolívia não é Evo Morales, mas o povo. Ou melhor, a parcela do povo que não aceita certos projetos e certos arroubos à la Chávez que tomam o presidente boliviano desde que tomou o poder. Todo governante deveria saber que quando não é eleito por uma maioria absoluta é porque uma grandfe parte da população desconfia de suas propostas. E mesmo uma vitória com qualquer placar não dá ao eleito o direito de governar como se os que o rejeitam simplesmente não existissem e não precisassem ser levados em consideração. Porém, a natureza da crise boliviana revela justamente isso: Morales não leva em consideração aqueles que não votaram nele, aqueles que desconfiam de sua retórica, aqueles que defendem desenvolvimento social e econômico baseado na realidade do país, não em utopias ideológicas do século XIX. E aí está a chave para entender a questão. Morales está certo em defender mais justiça social, mas está errado em seus métodos.

Um exemplo disso foi a aprovação, ilegal, irregular e na surdina, da nova carta constitucional boliviana. Apenas partidários do presidente votaram. A oposição ficou de fora. Foi mudada a regra do quórum constitucional para driblar a impossibilidade de se obter os votos necessários para a aberração jurídica e semântica que ele chama de constituição plurinacional ou qualquer coisa que o valha. Ficou o ranço golpista no paladar daqueles que não querem engolir tamanha afronta institucional. Cinco dos nove governadores decretaram desobediência civil. Isso pode acabar mal, de forma interessantemente parecida com o que acontece na maioria dos países cuja riqueza se assenta nos hidrocarbonetos, em especial a Venezuela e muitos dos países árabes do Oriente Médio. Isso leva a outra questão: de fonte de riqueza, o combustível fóssil parece se transformar em fonte financiadora e mantenedora do autoritarismo. Talvez seja por isso que tem uma meia dúzia de países e governantes de cabelo em pé com os sucessos de países que já apostam na produção de biocombustíveis. É que eles antevêem a mudança do eixo de poder e barganha para outras fronteiras. Daí, querem aproveitar a majestade enquanto a coroa lhes pertence. Mas Morales mal tem a coroa, já que o país é incapaz de explorar suas riquezas fósseis de forma eficiente sem a ajuda dos outros….

!No!

Posted Dezembro 3, 2007 by Li-Chang Shuen
Categories: Política internacional

Que as posições políticas na Venezuela estavam polarizadas, ninguém duvida. Que Hugo Chávez reconheceria uma derrota no referendo, isso causou surpresa. O líder “bolivarista” estava visivelmente pouco à vontade ao reconhecer a derrota, “por enquanto”, de seu projeto de autoritarismo do século XXI. Autoritarismo que se quer constitucional, diga-se de passagem. A oposição agora está mais cautelosa do que nunca, afinal, sabe que a derrota pode ter sido a senha para que o caudilho dê um golpe tipicamente latino americano nas instituições do país. Ele pode alegar interesse nacional de força maior. No caso, sua perpetuação no poder, típico de sua personalidade megalomaníaca. Amanhã ele pode acordar e dizer: parem tudo! O não venceu por causa de uma conspiração norte-americana! Quem sabe até a queda corintiana ele não tente explicar da mesma forma, para ajudar a consolar o inconsolável corintiano Lula.

Há que ter cuidado com os ventos que sopram da Venezuela. A democracia, por pior que seja, ainda é o melhor regime político. Desvirtuá-la em nome de uma revolução baseada em amadorismos do século XIX pode ser um típico tiro a sair pela culatra. E de culatras, Caracas está ficando bem servida com o plano de rearmamento que Chavito está levando a cabo. Fanfarrão como ele só, não aguentará tão facilmente dois “por que não te calas” em menos de um mês. Mas, por enquanto, é bom ter o mocinho calado, ou pelo menos, vociverando mais baixo. Por enquanto….

Agonia? Não no Morumbi!

Posted Dezembro 3, 2007 by Li-Chang Shuen
Categories: Comentário geral

O futebol é mesmo uma caixinha de cichês! Mal o Corinthians consolidava sua queda para a segundona os clichês começaram a proliferar como formigas diante do açúcar derramado. Segunda, esperai-os! Nação corintiana, nação sofredora. O milagre que se esperava aconteceu no Mané Garrincha, não no Olímpico. Pobre curintia, que agora vê conspirações, maldições, mal-interpretações por todos os lados. Não sei se é hora de sentir muito, afinal, eles apenas colheram os frutos, esse clichê….

Para os são-paulinos, e eu sou uma, 2007 foi um ano e tanto: vencemos o brasileirão nas duas pontas da tabela. Fomos pena e ainda vimos nosso arqui-rival amargar uma queda inimaginável, mas previsível. Lamentação, existe apenas para o jovem Felipe, único que não merecia tanta agonia. Foi o único homem no time após a derrota: falou com a imprensa, não jogou a culpa em ninguém, foi mais um entre milhões de sofredores alvi-negros. Uma pena para um jogador tão digno. Um bem-feito para um clube que este ano se comportou mais amadoramente que os times daqui do Maranhão. Acho que o curingão tem algo a aprender com o Palmeiras, com o Botafogo, com o Grêmio, com o Fluminense….

Camisa não ganha jogo. Torcida não ganha jogo. Organização, dentro e fora de campo, sim.

Mas, quer saber, isso não é problema meu. Meu problema agora é dar conta de conferir os troféus que o melhor time do país guarda lá no Morumbi…. 

Reflexões sobre a política externa brasileira I

Posted Novembro 28, 2007 by Li-Chang Shuen
Categories: Política externa

O fim da Guerra Fria significou o fim de uma era: a era das polarizações definidas. Porém, não inaugurou uma outra era a ser definida por uma única palavra ou conceito abrangente. Inaugurou, sim, uma era de transição, ou em transição, em que partes do velho ainda insistem em ser relevantes, e partes do novo apenas se delineiam no horizonte. Para a política externa dos países, em especial a do Brasil, esse novo momento significou uma mudança de postura operada na impossibilidade de previsão do que viria a seguir. Novos temas passaram a ocupar a agenda internacional e a diplomacia não podia ficar, como não ficou, sem um posicionamento que refletisse essas novas demandas da agenda. A política externa brasileira deixou de ser reativa e defensiva para se tornar mais positiva e propositiva.

Durante as décadas de 1970 e 1980, a política externa reage e se defende dos conceitos e visões da comunidade internacional acerca do país. Era a época em que a dívida do Brasil com a humanidade não era apenas monetária, mas também moral e ambiental. A crise da dívida dos anos 80 deixou o país vulnerável às pressões internacionais, tanto econômicas quanto financeiras. A política externa tinha que dar uma resposta à comunidade financeira internacional e reagir aos ataques dirigidos contra a seriedade das instituições monetárias, de política econômica e fiscal nacionais. Sem recursos para quitar as obrigações da dívida, o Brasil entrou para o indesejável grupo de países não confiáveis.

Essa desconfiança econômica e financeira acabou por acarretar uma desconfiança moral. O Brasil passou a ter que se defender, também, das acusações de violações aos direitos humanos e de destruição do meio ambiente, capitaneadas pelos escândalos de chacinas, assassinatos e abandono das populações mais carentes e pelo crescimento inegável do desmatamento da Amazônia e da poluição de rios e cidades. Com o país atacado por todos os lados, a política externa pouco pode fazer além de formular uma política de reação e de defesa, organizando um discurso que convencesse a comunidade internacional de que o quadro, afinal, não era tão ruim assim, de que algo estava sendo feito e de que a situação logo mudaria.

E, de fato, mudou. Não apenas pelas políticas internas adotadas com vistas a suavizar a situação de risco em que população, meio ambiente e economia se encontravam, mas também porque a postura da política externa tomou outros rumos, inclusive como resposta à própria mudança de postura da comunidade internacional em relação a um país que dava mostras de buscar recuperar uma imagem de certa forma desgastada. Mudou ainda por causa da inclusão de novos temas e de novos atores, ou vítimas, preferenciais da crítica internacional. A partir da segunda metade da década de 1990, com uma economia mais forte e com credibilidade financeira recuperada, os ataques derivados da situação de descontrole dos anos 80 diminuíram sensivelmente. A política externa pôde se ocupar de desenvolver novas táticas de inserção e de convivência do Brasil na comunidade internacional.

A partir de então, a postura passou a ser mais positiva, no sentido de aceitar novos regimes internacionais e ver neles oportunidades de crescimento – a exemplo da criação da OMC –, e mais propositiva, no sentido de não esperar que outros atores internacionais propusessem os temas a serem apreciados na agenda, mas também de sugerir linhas de ação, temas, regras e nuances que pudessem contribuir para a harmonização do sistema de relações internacionais. O fortalecimento econômico do país teve como conseqüência o fortalecimento da política externa, especialmente em setores sensíveis como o meio ambiente e os direitos humanos. Foi um ganho qualitativo que liberou os formuladores de política externa da contingência de elaborar respostas e defesas satisfatórias contra acusações que não apenas denegriam a imagem do país como emperravam a agenda externa brasileira.

Em conclusão, é possível afirmar que o aprendizado das décadas de reação e defesa da política externa foram substituídas por uma era de maior articulação e de melhores resultados nas negociações internacionais a respeito dos mais variados temas. A nova postura levou o Brasil a ser visto como um país com mais credibilidade, cuja voz deveria ser ouvida em uma série de temas e cuja participação em esforços conjuntos internacionais passou a ser demandada com mais freqüência. Não foi por acaso que a participação da diplomacia brasileira em fóruns multilaterais, muitas vezes em situação de liderança, tornou-se decisiva para a obtenção de resultados favoráveis ao país e àqueles que com ele compartilhavam a mesma visão dos processos em apreciação na agenda internacional.

Moderação hermanos!!!!!!

Posted Novembro 25, 2007 by Li-Chang Shuen
Categories: Política internacional

Argentina e Uruguai andam se estranhando há tempos por causa da construção de uma papeleira na margem uruguaia do rio que leva o nome do pais. A empresa finlandesa Botnia, que instalou a fábrica na cidade de Fray Bentos, já começou a produzir celulose. Os moradores da cidade sabem disso por causa do cheiro de repolho cozido que começou a ser sentido no ar nos últimos dias. E os argentinos reclamam. Não sem razão: a produção de celulose é uma das indústrias mais poluentes e danosas ao meio ambiente se não for executada dentro dos mais rígidos padrões de controle ambiental. O Uruguai diz que a atividade não irá poluir o rio que serve de fronteira natural entre os dois países e fechou hoje sua fronteira terrestre com a Argentina para evitar que ambientalistas protestem em seu território. Mas não evitou os protestos: o governo argentino já chiou e vai continuar chiando nos próximos dias. Os uruguaios ficaram bem irritados com o protesto que os argentinos enviaram, logo no início do processo de instalação da fábrica, diretamente à OMC, Organização Mundial do Comércio. Os outros países do Mercosul também não gostaram da atitude dos hermanos, já que o bloco tem um mecanismo próprio de solução pacífica de controvérsias.  Agora, ambos os países devem moderar o tom e tentar resolver a questão de forma mais amena, até mesmo para não prejudicar o próprio Mercosul, que de certa forma saiu desgastado do episódio. É como se a Argentina considerasse irrelevante o mecanismo do bloco, achasse que não haveria parecer justo, ou coisa que o valha. Pegou mal.

Deus é brasileiro, mas isso não basta!

Posted Novembro 25, 2007 by Li-Chang Shuen
Categories: Comentário geral

Por ocasião da descoberta da maior reserva de petróleo e gás da história do Brasil, o presidente Lula declarou que estava provado que Deus era brasileiro. Tanta euforia não era para menos. Afinal, o campo de Tupi, na Bacia de Santos, tem o potencial de transformar o país em um dos maiores produtores de gás e petróleo do mundo. No médio prazo, será a maior potência energética da América Latina. Isso tem importantes implicações práticas: redução, se não eliminação, da dependência do gás boliviano, maior visibilidade e atração para investimentos estrangeiros, dentre outros benefícios econômicos e políticos. Logicamente é necessário um plano de ação para que essa descoberta seja aproveitada em todo o seu potencial. E, neste ponto, a capacidade da Petrobrás não pode ser subestimada. Ano passado a estatal já havia anunciado a auto-suficiência brasileira na produção de petróleo. Depois, foi a vez do país sair na frente nas pesquisas e no desenvolvimento de biocombustíveis (que, aliás, é fruto da visão dos militares que governaram o país por mais de duas décadas). Agora, o que parece ser a coroação de um trabalho de mais de meio século de pesquisas e insistências. Feliz do presidente que está no poder em um momento tão único, tão propício.

Regionalmente, os lucros da reserva Tupi já começam a ser recolhidos, pelo menos simblicamente. Na próxima reunião trimestral de presidentes do Mercosul que tratará exatamente sobre energia, Lula será a estrela.  Aliás, o Brasil será o centro das atenções, em que pese a fanfarronice do sempre tagarela Hugo Chávez. O Brasil nunca esteve em tão privilegiada posição. Tem o domínio de três matrizes energéticas: hidrelétrica, fóssil e biomassa. Tudo bem que ainda depende de gás boliviano e que ainda precisa importar parte do petróleo que precisa refinar por um detalhe tecnológico, mas no médio prazo vislumbra mesmo é o paraíso. Porém, cabe o alerta: Deus pode ser brasileiro, mas convém não esquecer o trecho bíblico em que se lê “faz por ti que eu ti ajudarei”. Deus está ajudando, o Brasil precisa fazer a parte dele.

Hello world!

Posted Novembro 13, 2007 by Li-Chang Shuen
Categories: Uncategorized

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